Autor(a): D. Matthews.
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"O manicômio mesmo é
limitado pelas paredes que nos cercam."
Pequenos viajantes em taxis desgovernados, rumando para onde a brisa nos
deixar, a única maneira de compensar a total falta de cuidado é na música do
toca-fitas se encontrar. As ruas estão repletas de corpos que ouvem seus
passos, mas não escutam sua voz, de que adianta então poder cantar como os
pássaros se os únicos que nos entendem somos nós? Fumaça, dores, vício,
cansaço, rotina, medo, sono, pensamentos psicodélicos, morfina, tristeza,
dinheiro, fetiche, saudade, falta de valor, atenção, armas de fogo e ainda
assim continuamos tão frágeis, a ponto de um mero descuido nos aniquilar.
Lembro que o que agrada mesmo os habitantes desse planeta são surpresas,
e também o que mais os assusta, são surpresas que marcam nas memórias as mais
inesquecíveis situações e que acabam com os planos mais bem arquitetados. Pisamos
nessa terra numa surpresa, um dia, de repente estávamos falando, correndo,
pedalando em motocas, éramos os reis da calçada, pilotos de fuga, os
indomáveis! Surpresas como a que os mágicos preparam na TV, como o primeiro
amor, quem imaginaria que justamente aquela pessoa iria chamar nossa atenção? Se
pudéssemos escolher a vítima não seria a mesma coisa. O destino jogou seus
dados e ela foi escolhida.





