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terça-feira, 24 de julho de 2012

Um jantar com estranhos – Capítulo IV – Alaor, o Rei.

Autor(a): D. Matthews.  
 • Índice



"O manicômio mesmo é limitado pelas paredes que nos cercam."


Pequenos viajantes em taxis desgovernados, rumando para onde a brisa nos deixar, a única maneira de compensar a total falta de cuidado é na música do toca-fitas se encontrar. As ruas estão repletas de corpos que ouvem seus passos, mas não escutam sua voz, de que adianta então poder cantar como os pássaros se os únicos que nos entendem somos nós? Fumaça, dores, vício, cansaço, rotina, medo, sono, pensamentos psicodélicos, morfina, tristeza, dinheiro, fetiche, saudade, falta de valor, atenção, armas de fogo e ainda assim continuamos tão frágeis, a ponto de um mero descuido nos aniquilar.
Lembro que o que agrada mesmo os habitantes desse planeta são surpresas, e também o que mais os assusta, são surpresas que marcam nas memórias as mais inesquecíveis situações e que acabam com os planos mais bem arquitetados. Pisamos nessa terra numa surpresa, um dia, de repente estávamos falando, correndo, pedalando em motocas, éramos os reis da calçada, pilotos de fuga, os indomáveis! Surpresas como a que os mágicos preparam na TV, como o primeiro amor, quem imaginaria que justamente aquela pessoa iria chamar nossa atenção? Se pudéssemos escolher a vítima não seria a mesma coisa. O destino jogou seus dados e ela foi escolhida.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Um jantar com estranhos – Capítulo III – Um homem de poucos amigos


Autor(a): D. Matthews.  

"Quando isso acontece, nada mais faz sentido na cabeça dele, mas quem diz que um dia pudesse fazer?"

Estamos trocando passos em calçadas de vias insanas e nosso respirar se torna ofegante à medida que nos aproximamos daquele breu. Esperamos que o ônibus pare num ponto desconhecido, mas nem mesmo sabemos que ônibus pararia em uma rua tão distorcida, torcemos para que possamos voltar bem, dormir em nossos lençóis companheiros, mas nem mesmo temos passagem. Quem sabe um dia ele chegue, quem sabe um dia deixe de esperar e tenhamos a certeza que virá. Estar perdido faz parte da vida.
Mergulhando na imensidão negra daquele lugar, uma claridade chama a atenção de todo e qualquer viajante que possa caminhar naquele beco, sem nome, sem saída, sem direção. A chuva se materializa na forma de uma suave garoa, e, passadas das duas horas e dezessete minutos, se torna trilha sonora ecoando nas paredes das residências próximas. A fonte luminosa é oriunda de um bar antigo, um letreiro de neon indica o nome do local, e alguns vestígios luminosos na porta mostra que ainda está aberto.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Silêncio

Autor(a):  D. Matthews.

Gênero:  Drama.
Classificação: G, L.
Observação: Bem pessoal, como meu note foi passear no conserto, o próximo capítulo de Um jantar com estranhos vai demorar um pouquinho para sair do forno, mas assim que eu puder eu irei postá-lo. Para que não sintam minha falta aqui decidi postar um conto que eu escrevi no começo do ano passado, foi um dos primeiros nesse formato, espero que gostem.



Passara-se de quatro horas da madrugada, e em seu sofá estava sentado Manoel, o silêncio ecoava pelas paredes, e na vista de seu apartamento, poucas luzes estavam acesas. Olhava para o quadro de Madalena na parede, então virava a cabeça e olhava para a porta, sentia o doce cheiro de fumaça no ar, continuava ali, não se sabe por quanto tempo estava naquele lugar, mas ouve-se o bater em sua porta.

domingo, 13 de maio de 2012

Um jantar com estranhos – Capítulo II – Encontro marcado


Autor(a):  D. Matthews.


"[...]quem sabe esse passado possa explicar coisas daqui para frente."

Em uma estranha hora de um estranho dia de uma cidade estranha, a impressão era que todos os indivíduos daquela vista estivessem preocupados com seu descanso, até mesmo os cães e gatos, alguns dormiam no chão, outros na cama do seu dono, alguns tinham suas próprias moradias e como há também os mais necessitados, alguns passavam as madrugadas nos cantos frios escondidos e solitários. A preocupação sempre tomou conta daquele lugar, preocupavam-se em acordar cedo, em tentar mostrar a seus colegas o seu valor, preocupavam-se em acender velas, comprar fósforos, ganhar dinheiro, entre tantas outras coisas, poderíamos inclusive chamar aquele lugar de Vale das Preocupações. O relógio na prefeitura anunciava que o tempo nunca deixou de correr, o tempo jamais parou, mas a cidade parou, menos para um guerrilheiro.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Índice - Um jantar com estranhos

Autor(a):  D. Matthews.
Gênero:  Drama.
Classificação: PG, 12 anos.
Sinopse ou Teaser:  “Gaiolas dentro de gaiolas, a prisão toma a forma.
Observação: Comecei essa história para tentar pegar um ritmo de escrever e desenvolver minha criatividade. É claro que os prazos de postagem irão variar, até porque minha motivação varia muito com meu humor e com as atividades na faculdade que me sugam a vida. Estou escrevendo-a capítulo por capítulo, então nem eu mesmo sei quantos capítulos serão ou o que virá pela frente. Mas meu ideal com essa história é criar um roteiro onde cidadãos que pareciam já sem esperança perante uma sociedade injusta e um destino implacável conseguem se reanimar e mudar a forma de enxergar as coisas, a partir da amizade e da coragem.


• Capítulo I - Amanhã acaba a festa  
• Capítulo II - Encontro marcado
• Capítulo III - Um homem de poucos amigos.
Capítulo IV - Alaor, o Rei.  
• Capítulo V -Em breve.

sábado, 5 de maio de 2012

Um jantar com estranhos – Capítulo I – Amanhã acaba a festa

Autor(a):  D. Matthews.
Gênero:  Drama.
Classificação: PG, 12 anos.
Sinopse ou Teaser:  “Gaiolas dentro de gaiolas, a prisão toma a forma.
       Observação: Comecei essa história para tentar pegar um ritmo de escrever e desenvolver minha criatividade. É claro que os prazos de postagem irão variar, até porque minha motivação varia muito com meu humor e com as atividades na faculdade que me sugam a vida. Estou escrevendo-a capítulo por capítulo, então nem eu mesmo sei quantos capítulos serão ou o que virá pela frente. Mas meu ideal com essa história é criar um roteiro onde cidadãos que pareciam já sem esperança perante uma sociedade injusta e um destino implacável conseguem se reanimar e mudar a forma de enxergar as coisas, a partir da amizade e da coragem.


"As coisas acontecem de forma um tanto quanto estranha, talvez o caminho desconhecido possa estar correto e você pensava em voltar atrás, você nem sabia, mas não havia ninguém que pudesse lhe informar, talvez um silêncio possa simbolizar um “muito obrigado!”, quem sabe?"


A reunião estava marcada e prestes a ocorrer. Poucas badaladas separavam o atraso da pontualidade, mas para aquele que desconhecia o significado de compromisso isso era mera formalidade. Dessa vez o encontro era no banheiro masculino da oficina mecânica do final da Rua Bélgica, ao lado do parque do canário. Lugarzinho imundo esse, para poucos convidados realmente.
O rei estava a postos, debaixo da sua corona de plástico. Mal sabia o porquê de estar ali, teria aparecido subitamente como aqueles que aparecem sem ter convite em festas de crianças inocentes menores de idade? Ou será que estava tendo uma amnésia? Dormiu e acordou ali? Quem é que se importa? Quem é quem aqui?
O que se sabe nesse momento é que ainda restavam evidências naquele lugar, e esse era o problema para a vossa majestade, o sujeito não queria deixar vestígios, era do tipo: “estou aqui, mas não olhe para mim!”, desceu de sua poltrona real, foi até a torneira, jorrou água sobre seus dedos, então tirou um trapo do bolso traseiro da calça, o molhou e passou sobre as marcas que havia deixado na porta do lugar, guardou o pano, caminhou de volta para a poltrona, sentou-se e por lá aguardou a chegada de seus convidados.

 

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